terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Uma Redescoberta do Eu

ANO NOVO, VIDA NOVA!




Resolvi que este slogan seria mais do que isso este ano. Está na hora de parar de esperar que o mundo mude e começar eu a fazer por mim o melhor que posso. Já não era sem tempo.
Cedo percebi que, para levar isto a cabo, seria necessário que se cumprissem dois requisitos essenciais:

1. Eu quisesse fazer isto por mim e não por imposições ou pressões externas;

2. Eu estivesse bem ciente da disciplina que este grando passo implica e aceitá-la de coração aberto.


Tudo isto começou quase como uma brincadeira, um pensamento aleatório cerca de uma semana antes do ano novo. Pensei para comigo... Será que é desta? E fiz as duas perguntas principais: Quero? Consigo?

Sabia que o conseguir estava dependente da minha força e resistência, que acreditava piamente não possuir. Mas depois percebi que só eu estava no meu próprio caminho e que tinha pelo menos de tentar, devia isto a mim mesma! Se conseguisse, espectáculo! Até que enfim!! Se não, paciência, só me desiludiria a mim mesma e tentaria mais tarde.

Não vale de nada fazê-lo para agradar a terceiros. Mais cedo ou mais tarde, isso não será suficiente. Nem por causa das imagens ou mensagens escritas acerca das consequências do acto. Até se querer mesmo, não vale a pena.




PARTIDA... LARGADA... FUGIDA!!





Não fumo desde a meia-noite e cinco minutos do dia 1/1/2012. Portanto, há cerca de 70 horas. Tem sido difícil... Acho que ainda não estou plenamente convencida de que tem sido real. Parece que me tenho estado a iludir, a desviar a atenção do inevitável. Não sei quanto tempo vou aguentar, mas espero que muito... Quiçá para sempre!
Nestes três dias já tenho notado mudanças espantosas. Não sei, talvez até seja psicológico, mas que as sinto, sinto. 

Escrevo isto por duas razões. Primeiro, para me manter no caminho certo - para ir relendo e, dessa forma, recordando o meu objectivo. Olhos no prémio e tal. Em segundo lugar, com a esperança de que estas palavras ajudem alguém. Por isso, quando me refiro a 'ti' ao longo do "artigo", estou a dirigir-me tanto a ti que estás a ler estas palavras como a mim.

Ao escrever, apercebi-me que estes pensamentos são válidos para muitas coisas, não apenas para deixar de fumar. Sei que quer se queira largar o tabaco, perder peso que ganhaste porque te viraste para a comida como conforto, deixar as drogas, etc - tudo isto são vícios e o princípio para os ultrapassar é o mesmo.

É que sempre que te submetes ao teu vício, o mesmo acontece: sabes que estás a fazer-te mal e, portanto, vais-te habituando a abstrair-te do acto, recusando-te a lidar com ele. Crias justificações, sendo a mais comum "eu mereço".
"Passo a vida a fazer sacrifícios, mereço este bolo."
"Apetece-me e pronto, deixem-me em paz!!"
"Tenho de fumar senão vou-me a ele!"
"Posso parar quando quiser, só que agora não quero."
"É o melhor para toda a gente. Ou isto, ou desato a barafustar com tudo e todos!"
"Isto não faz tão mal como dizem."

Desculpas, desculpas e mais desculpas. Já para não dizer completas mentiras. Vais repetindo-as ao longo da tua vida, até que se tornam verdades absolutas. Só que são verdades que mais ninguém compreende, senão paravam de te chatear. É apenas normal que desates a espingardar com as pessoas nessas alturas, pois claro, é que não há paciência! E então torna-se necessário esconderes o teu vício. Para não haver chatices, claro. Não que estejas a fazer algo de errado. Mas não tens que dar justificações a ninguém e assim ninguém se chateia. 

Ilusão, tudo ilusão. O que estás a fazer destrói-te - e tu sabe-lo. O prazer momentâneo implica que tenhas de abdicar do prazer e gratificação a longo prazo. Mas recusas-te a enfrentar esse facto, porque isso significa assumir que és tu que te estás a autodestruir e, acima de tudo, que não te amas. Pois é. Se te amasses, não o farias - tão simples quanto isso. Se te amasses, quererias mais e melhor para ti. Não te sabotarias. Não minarias cada passo do teu caminho.

Se alguma coisa do que disse faz sentido para ti, talvez me queiras perguntar porque decidi tomar este passo agora. Porquê agora? Porque não continuar a adiar até dia de S. Nunca à Tarde? Pois... Acho que não sei bem responder. Suponho que, dado o primeiro dia do ano estar associado a um novo começo, como o ditado indica, pareceu-me o mais apropriado. E porque faltavam poucos dias até essa data. Mas acima de tudo acho que um dia acordei e me obriguei a lidar com os factos anteriormente descritos. Ao invés de fugir, como habitualmente, fiz-me perguntas muito difíceis como "Mas afinal porque é que eu não quero melhor para mim? Porque é que acredito que não mereço? Porque é que me aceito como fraca?" Obriguei-me a olhar para a realidade. Não para o mundo externo (isso já é uma história completamente diferente...), mas para mim mesma. Deixei as desculpas e as expectativas das outras pessoas à porta e perguntei-me o que é que eu queria. Respondi-me que queria ser feliz, mas não sabia como e tinha medo. 
Medo do quê? 
Do desconhecido. 
Então começa pelo que conheces. Sabes o que queres - explora-o. Mas sobretudo conhece-te a ti mesma, tem a certeza do que és e do que queres.

E foi o ponto de partida.



PLANEAMENTO




Cada vez que perguntava a alguém como tinham conseguido parar de fumar, invariavelmente respondiam-me que o tinham feito da noite para o dia. Que um dia decidiram parar e o fizeram, pura e simplesmente. Ora eu não me via a fazer isso, pelo menos não sem um plano, porque tenho consciência que sou a minha maior sabotadora. Portanto, estes foram os passos que fizeram sentido para mim, de modo a poder antecipar-me aos obstáculos que inevitavelmente criarei.

1. Fazer uma lista das motivações
Mais cedo ou mais tarde, sei que me vou perguntar "Qual o objectivo de tudo isto? Apetece-me, vou fumar e pronto!"
Portanto, eu quero deixar de fumar porque:

a) Quero respirar melhor. 
b) Quero ter um cabelo, uma pele, umas unhas e uns dentes mais bonitos e saudáveis, bem como todos os meus orgãos internos.
c) Quero estar livre de vícios. Que nada me controle.
d) Quero ter um hálito fresco e mucosidades de cor normal.
e) Prentendo oferecer-me uma limpeza e talvez até um branqueamento dos dentes se me aguentar sem fumar até ao meu aniversário.
f) Quero dar um melhor uso ao meu dinheiro e, se possível, poupar algum.
g) Porque mereço ser mais feliz e saudável.
h) A minha fé. Se não soubesse que há alguém que me ama independentemente das porcarias que eu faça, não sei se seria capaz.

2. Prever desculpas possíveis
Conhecendo-me como conheço, sei que vou tentar arranjar justificações para não me manter dentro do plano. Estas são das piores tentações que existem, porque fazem tanto sentido que se sobrepõem às motivações. A importância destas duas listas é enorme, porque chamam a atenção para duas características intrínsecas ao 'programa', se assim o posso chamar: humildade para perceber que as regras e a disciplina existem por uma razão e que não pode haver atalhos nem excepções.

a) "Já gastei dinheiro no maço... Agora tenho de o acabar né?"
O dinheiro que poupas ao não o fumar é infinitamente superior, porque depois de acabares esse, o mais certo é que irás comprar outro. E não vale mesmo a pena correr esse risco. Paras quando escolhes parar, não quando o maço acaba.
b) "Só mais um cigarro, começo depois."
Não existe isso do 'só mais um'. Enquanto tiveres essa mentalidade, estás a iludir-te. Tomaste uma decisão. Cumpre-a. Não te desiludas a ti mesma/o.
c) "Eu também não quero viver para sempre!!"
Não irás viver para sempre de qualquer das maneiras. Mas o mais provável é estares a escolher activamente se acabas os teus últimos dias/meses/anos relativamente saudável ou completamente dependente de terceiros. Salvo acidentes/doenças que não possas prever, é isso que está a acontecer a cada dia que permites que passe. E depois já é tarde para lamentar. Só existe o agora.

Nota: É importante criar estas duas listas enquanto estás calma/o, para poderes pensar com clareza e considerar bem todas as possibilidades, explorar todas as fraquezas e assumi-las, planear como as corrigir e, portanto, a longo prazo, aprenderes a amar-te mais e melhor. Se deixares algo ao acaso, mais tarde vais arrepender-te. A mente é muito perversa, especialmente quando entra em modo de sobrevivência.

3. Escolher uma data.
Nem muito perto, nem muito distante, de modo a dar tempo de aceitar a nova realidade mas, ao mesmo tempo, não correr o risco de cair no esquecimento ou no utópico e continuares a adiar o dia eternamente.
No meu caso, aproximadamente uma semana, ao longo da qual, a cada cigarro que fumava, perguntava-me "Será que este vai ser o último?" E como me sentiria se o fosse. Aceitar essa realidade progressivamente tornou a decisão mais fácil, bem como o cumprimento da mesma.

4. Mentaliza-te de que é precisa muita disciplina!
Vai ser difícil, mas não impossível. Vai haver alturas em que te apetecerá fazer a birra do "quero, posso e mando", mas é preciso humildade e respeito por ti mesma/o para perceber e aceitar que o que te queres dar no momento tem um preço demasiado elevado: implica negares-te algo que mereces, sob o falso pretexto de estares a ganhar, a lutar contra imposições externas, algo ou alguém que te quer tirar algo que mereces. Compreende e assume que és tu que estás a criar esse mito e age em conformidade.

5. Identifica as alturas mais críticas.
Seja pela altura do dia, seja por mecanismos de associação ou determinadas circunstâncias, há sempre momentos em que é mais difícil combater o vício. No meu caso, era a associação à comida. Nem que comesse uma migalha, teria de fumar logo de seguida. Aprender a reconhecer estas situações é meio caminho andado para as corrigir.



EXECUÇÃO




Ok, da teoria à prática. Chegou a data previamente estabelecida. E agora?
Das duas, uma: ou vais em frente ou desistes de tudo. Mas se desistires, assume-o. Não te enganes a ti mesma/o. Se inventares desculpas em vez de assumires as tuas fraquezas, estás novamente a alimentar as ilusões que te impedem de progredir e nunca conseguirás tomar o passo inicial e muito menos cumprir 
o plano a longo prazo.

1. Dá-te algum tempo.
Este passo foi muito importante para mim. Por exemplo, as perguntas que ia fazendo enquanto fumava naquela semana em que tomei a decisão. Aceitar a realidade progressivamente.
Durante a fase do planeamento, eu achava que queria mesmo seguir em frente, mas não tinha a certeza se o faria, porque sabia que, a partir do momento em que o fizesse obrigada, lá se ia a lista das motivações e começaria a disparar o rol das desculpas. Portanto, embora ainda não tenha a certeza se consigo, tenho definitivamente mais confiança do que antes. E sei que, se levar as coisas com calma, consigo.

2. Assume.
Passaram alguns dias e já assumiste o compromisso perante ti mesma/o. Muito bem, agora faz o mesmo com as pessoas que te rodeiam. Vais precisar do seu apoio.
É isso que estou a fazer agora. E, embora sejam palavras num ecrã e não proferidas presencialmente, para mim têm o mesmo efeito. Porque sei que ao fazer isto não terei problemas em falar cara-a-cara.

3. Testar alternativas.
Sejamos realistas, tens de encontrar algo para fazer quando te bate aquele desejo. Mas atenção, escolhe algo que não te crie ansiedade! Não vale a pena pores-te a jogar no computador ou na consola ou mesmo a ver um filme de suspense intensivo, pelo menos nos primeiros tempos. Algumas opções:

a) Livro
b) Cruzadex ou outros passatempos
c) Exercício

Detesto fazer exercício. Mas, de vez em quando, lá salto para a elíptica. É que acabo por me esquecer do esforço que estou a fazer porque fico completamente maravilhada, ou quase hipnotizada, pela facilidade que já tenho em respirar. Já não há assobios quando respiro fundo e muito menos dores! Isto em menos de três dias. De novo, talvez seja psicológico, mas que me sinto melhor sinto. E não há nada que valha a pena perder isto.
Outra alternativa frequente e, a meu ver, inevitável é a comida. Não dá para fugir, vais querer meter qualquer coisa à boca. E a pastilha só resulta às vezes. Portanto, rodeia-te de comida  minimamente saudável. Eu ando sempre com frutinha e iogurte. Hmmmmm iogurte grego... Que delícia!!

4. Afastar as tentações.
Quando te sentires preparada/o para o próximo passo, tira o tabaco da mala, lava e arruma os cinzeiros, foge dos amigos fumadores, etc. Remove todas as tentações.
Ainda não tomei este passo na totalidade porque acredito que é cedo para o fazer. Quero sentir que isto é uma decisão minha. Portanto, quero continuar a andar com o tabaco na mala por uns tempos, saber que está lá e que sou eu que escolho não lhe tocar. É a maior prova de que sou capaz: sou eu que tomo a decisão porque é o melhor para mim, não porque me obriguei. Quando sentir que o vício já não chama tão activamente por mim, aí sim vejo-me livre de tudo.

5. Sempre alerta!
Quando comecei tudo isto, por incrível que pareça o que mais me assustava era que a dada altura começasse a fumar sem dar conta disso. E ainda é! Maldito vício de mão. É verdade, muitas vezes pegava no cigarro sem me aperceber, especialmente se estivesse a fazer outra coisa ao mesmo tempo, como falar ao telemóvel. São muitos anos de treino do faz-de-conta-que-não-aconteceu.
Portanto, especialmente enquanto não tomares o 4º passo, é muito importante estares sempre consciente do que estás a fazer. Isto aguça cada vez mais a disciplina, força-te a conheceres-te melhor, a assumires activamente as tuas acções e respectivas consequências e, portanto, a evitar qualquer tipo de descuido.

6. Praticar técnicas de relaxamento.
Estas são particularmente úteis e necessárias nas situações descritas no ponto 5 do Planeamento.
Voltemos ao meu exemplo pessoal, o da comida. Muitas vezes ainda estou a mastigar e já o desejo de fumar é irresistível. Nesses momentos, paro, respiro fundo, mastigo mais devagar e concentro-me em saborear a comida. E não é que resulta??
Obviamente tento fazer o mesmo em qualquer situação de stress. Paro, respiro fundo, olho para a situação objectivamente e analiso o que posso mudar; o que não posso, tento pôr para trás das costas. Isto tem feito maravilhas pelo meu sistema nervoso, embora ainda tenha de aperfeiçoar muito o método. Mas pelo menos já tenho a teoria!
Independentemente do que aconteça, o importante é identificar o que está a suceder e lidar com isso.


7. Celebrar as pequenas vitórias.
Este é um dos passos mais importantes, na minha opinião. Noto que quando festejo o facto de me ter conseguido acalmar antes de pegar no cigarro, tenho mais força da próxima vez que isso acontece. Porquê? Talvez porque, ao celebrar, estou a assumir activamente que sou capaz, o que significa que essa desculpa vai perdendo efeito. E, por outro lado, para fazer face ao prazer que recebes com as gratificações instantâneas que te fazem tanto mal. 
Por isso, é muito importante saborear o momento, para ele ficar bem gravado na nossa memória - tanto a conquista como a sensação da mesma. Aos poucos, vais-te apercebendo que aquilo custou mas valeu bem a pena. 




RECAÍDAS




Ainda não tive nenhuma, mas sei que estão à espreita. 
Também sei que não acontecem do nada. Sucedem quando abdicas do controlo. Quando deixas de assumir activamente o que fazes e as consequências dos teus actos. Quando te rendes ou, simplesmente, "deixas andar".

1. RED ALERT!!
Como acabei de dizer, as recaídas não acontecem do nada. A meu ver, há uma espécie de escala de ansiedade que culmina na recaída. Por isso, o passo 5 do Planeamento e o 6 da Execução são tão importantes. Quanto mais te treinares para identificar as situações que te causam mais ansiedade e praticares contrapartidas, mais fácil se torna evitar este desfecho. No meu caso, já referi o falar ao telemóvel. Quase me torno num autómato. Portanto, nessas alturas, tenho de me afastar do tabaco. Um dia o meu cérebro já estará reprogramado, mas por enquanto é preciso ter todos os cuidados e mais alguns. Aprende como a tua mente e o teu corpo funcionam, para evitares chegar ao ponto crítico.

2. Pede ajuda!
Não tenhas medo nem vergonha de pedir ajuda aos teus amigos, seja que não fumem ao pé de ti, seja pegar no telefone quando nada parece resultar. Eles querem o melhor para ti. Mas tu também tens de o querer, antes de toda a gente. Portanto, tens de ter humildade para pedir ajuda e respeito por ti mesma/o para quereres o melhor para ti.

3. Pronto, já fostes.
O inevitável aconteceu. Tantos planos, tudo estudadinho, para nada. Acendeste o cigarro, inalaste o fumo e expiraste-o.
Nada de pensar "Pronto, não consigo." ou "tento noutra altura". Se há coisa que aprendeste com tudo isto é que só o presente conta. Se te dizes que tentas depois, então mentiste-te a ti mesmo quando tomaste a decisão inicial. O que te faz acreditar que no futuro algo será diferente?
Apaga o cigarro, aceita a derrota da batalha e prossegue com a tua guerra.



CONCLUSÃO




E pronto, fico-me por aqui. Não sei se leste realmente tudo mas espero que sim, porque cada palavra significa muito para mim.

Como disse algures no início, acredito que o princípio base é comum a vários tipos de vícios, portanto rogo-te: se estás a pensar em pegar num cigarro, não o faças. Se consideras fazer algo que sabes que está errado e te vai fazer mal, não tomes esse passo. A tua consciência é a tua melhor amiga - não a cales. Não arrisques a tua vida nem a tua felicidade. Não vale a pena.

Já viste bem o tamanho disto? Este texto enorme retrata o que eu considero ser necessário para combater algo que me atormenta secretamente há aproximadamente 10 anos. É muito, muito difícil encarar a realidade em vez de me entregar às desculpas. E nem sei se conseguirei. O que sei é que é infinitamente mais difícil e complicado do que quando fumava os primeiros cigarros convencida de que conseguiria parar quando quisesse.

Tu mereces ser feliz. Não deixes que nada nem ninguém te convença do contrário. Luta contra o gratuito, luta por ser feliz, não baixes os braços. No fundo, sabes que nada realmente bom vem facilmente. A verdadeira felicidade provem da conquista, saber que mereceste obter o que tens. Sê paciente. E, acima de tudo, ama-te. Cada vez mais.





quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Esqueço-me de que tenho fome

Quando tenho fome, rapidamente fico impaciente. E depois começo a ficar progressivamente irritada até ficar completamente zangada e impossível de aturar. Por isso não entendo como fui capaz de me esquecer que tinha fome. Os sintomas estavam todos lá.

Há meses que me sinto triste, depois irritada, depois zangada. Com pequenas coisas, depois com grandes. Tento perceber porquê e na altura os pensamentos lá parecem fazer sentido, porque depois torno a entrar na rotina. E lá vou eu, andando, sem me aperceber da fome que me devora, me consome.

Este mundo angustia-me. Aquilo que às vezes penso é que gostaria de ter nascido há pelo menos 100 anos atrás. Que o mundo fazia tão mais sentido nessa altura. Havia normas, havia moral, havia respeito... Olho para o mundo de hoje e parece-me completamente caótico. E, paradoxalmente, também me parece completamente entediante. Como é que é possível que as pessoas ainda não se tenham fartado desta era da rebeldia, do eu? Todos os dias vejo textos e imagens no Facebook com constantes necessidades de afirmação do eu em detrimento dos outros e não consigo deixar de me perguntar por que raio as pessoas sentem necessidade de publicar essas afirmações ao invés de deixar as suas acções falar por si. Porque é tão importante dizer ao mundo que não se importam minimamente com alguém que não concorde com eles. 'Não gostas, há quem goste - manca-te'. Há provocações em todo o lado. 

Sexo. Violência. Negatividade. Sempre à minha volta e levo cada dia a pensar quando é que as pessoas se vão fartar disto. Do gratuito. Quando é que vão querer algo mais. Para si e para os que amam. Se é que amam alguém. A anarquia mascarada de liberdade. Eu eu eu, eu por todo lado. Só eu importo. Tu... Manca-te. Não me interessa o que tu pensas. 


Mas enfim, eu é que sou a beata e sabe-se lá que mais. Apenas porque quero algo mais. Algo melhor. Algo com substância. 
E então, como vivo angustiada, zangada, irritada, etc - não vejo. Algo tão simples. Realmente é quando menos esperamos que nos apercebemos das respostas que tanto procuramos.


Vinha a andar na rua. Tinha acabado de anoitecer. Deu-me para olhar para o céu e calhou ver a lua e uma estrela num céu completamente limpo através dos ramos de uma árvore despida. Nesse momento, tudo parou. O barulho dos carros, o cheiro dos tubos de escape e do cigarro que acabou de passar por mim, as pessoas a passar - até eu tinha parado, apesar de continuar a andar. E percebi que era só isso que precisava. Realmente é apenas preciso parar para cheirar as flores!! Quem diria. Naquele momento a minha fome foi saciada. Nada mais parecia ter importância suficiente para me deixar naquele estado.

Só espero tão depressa não me tornar a esquecer de que tenho fome. Porque o alimento está sempre à minha volta, só tenho de abrir os olhos... E parar.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Aprender a Saber Viver

"Ó Ana, tu tens de aprender a saber viver!"

Tenho ouvido muito esta frase ultimamente, por parte das pessoas que mais me amam, usualmente quando estou perante situações que me deixaram magoada e/ou incrédula. A expressão é geralmente acompanhada de uma aparência e tom de voz ora resignados/tristes ora irritados/frustrados. Porque realmente já são muitas vezes. Compreensível.

Só que eu continuo a tentar deslindar o que será isto de saber viver. Até agora, apenas consegui apurar que envolve não dizer aquilo que realmente se pensa e muito menos que se irá dizer a terceiros, presumir que as pessoas não são boas quando o aparentam ser e manter uma cara de póquer em todos os momentos. E depois quando penso nisso sou eu que oscilo entre a tristeza, raiva e frustração, porque recuso-me a aprender a ser assim mas sei perfeitamente que sou eu que tenho de mudar, não é o mundo à minha volta.

É que às vezes pergunto-me se as pessoas alguma vez olham para o quadro geral. Passo tempos infindos a pensar por que raio alguém agiria deste modo. Não consigo ultrapassar a mesquinhez. E quando olho à minha volta e ouço um a falar mal doutro e vejo a tremenda inveja... Por todo o lado, online e offline, só gente a queixar-se de tudo e mais alguma coisa! Percebo que está tudo ligado. É impossível. Esta gente não pode estar a ver as coisas como elas realmente são. Estão completamente iludidas, só pode!

Posso não saber muito nesta vida mas há algo de que tenho a certeza absoluta: Aquilo que todos nós tomamos como cliché é muitas vezes a mais pura verdade e pouca gente parece conseguir discernir o verdadeiro significado, descartando-o como "coisas bonitas de se dizer".


Isto é o que eu sei hoje: Está a chegar o Natal. Até agora, muito sinceramente, custava-me mas não era nada que não conseguisse suportar. Só que parece que este ano as coisas mudaram. Toda a gente (ou quase) está mais pobre. E então ponho-me a pensar - é desta. É desta que as pessoas vão ligar menos às prendas e mais aos entes queridos. E aí então bate a saudade, de uma forma e intensidade imensuráveis. Porque dava tudo para o ter na minha vida. 


Tenho estado a pensar e apercebi-me que, para lidar com a morte de uma das duas pessoas que considero indispensáveis na minha vida, fiz um excelente trabalho em convencer-me que ele tinha partido para uma viagem e que voltaria a vê-lo, se bem que pudesse demorar um pouco. Só que quanto mais tempo passa, mais me apercebo que, independentemente da veracidade da analogia, ele não está cá. E que o 'um pouco' na verdade soa interminável e depois faço birra e choro porque só quero abraçá-lo, vá lá, quem quer que mande na companhia aérea por favor permita uma breve interrupção na viagem porque eu só quero, eu PRECISO de o ter ao pé de mim!!! 

É verdade, é ridículo. A mente tem coisas muito estranhas. E só quem passa por isso sabe. O que eu sei é que dava tudo para levar mais uma palmada. Para ouvir a sua voz. Para sentir o seu abraço. E, perante isso, nada mais tem o significado que costumava ter.


Ora se tanta gente tem consigo as pessoas que mais amam e que mais as amam, como raio podem dar tamanha importância a coisas supérfluas? Como é que as vêem sequer como indispensáveis??

Não quero prendas. Há muitos anos que digo que não quero prendas e não quero mesmo. Mas do fundo do coração. E se fizessem mesmo muita questão de dar alguma coisa, gostaria de qualquer coisa feita pela pessoa, como por exemplo um cartão. Algo para onde pudesse olhar durante o ano e recordar e saber que foi feito especialmente para mim. Não quero nada. Só quero alguém. Bons alguéns.

E com isto e muito mais, dou por mim a oscilar entre um aparente mundo utópico e a realidade. E então invade-me uma tristeza imensa. Porque me apercebo do quão fácil é enganarem-me porque eu não sei viver. Basta dizerem-me algo e eu acredito. E ao descobrir e aceitar que não existem pessoas transparentes, perco completamente a confiança em mim mesma e no mundo. E fico triste. Muito triste.

Portanto se este Natal me quiserem dar alguma coisa... Dêem-me um abraço. Mas genuíno.

Boas festas a todos.

Beijinhos,
Ana


Amor mesmo, mas mesmo eterno.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ávinho 2011

No fim de semana passado desloquei-me a Aveiras de Cima (Azambuja), para assistir ao Ávinho, a festa do vinho e das adegas. O pessoal apenas tinha de adquirir uma caneca por 2€ e encher ao longo da noite pelas várias adegas espalhadas pela vila. A receita das canecas reverteu para a Cruz Vermelha, delegação de Aveiras de Cima.








Eu até pensava que não ia gostar daquilo porque detesto vinho, mas havia tanto para ver e o ambiente era de tal modo impecável que correu tudo às mil maravilhas. E sim, dei por mim a beber vinho! Comecei com a sangria mas depois fui buscar directamente ao barril, eheh. 





O festival teve início na sexta-feira dia 15 de Abril às 19h. Nesse primeiro dia havia não só o vinho mas também febras e pão à descrição. As restantes comidas e bebidas - pão com chouriço, couratos, bifanas, sumos, etc. - eram cerca de metade do preço.






Cheguei ao pé duma barraca e havia vários alguidares com febras, entremeadas e pão e uma travessa com sal. O pessoal chegava lá, tirava o que queria e punha a grelhar. A minha está algures na foto acima! E a sangria a 50 cêntimos a caneca também calhou muito bem. Muita animação à misura com a Bandinha da Filarmónica e a Fanfarra Fá Nem Fum. De acordo com o programa, havia também fados nas adegas, coisa que eu não sabia na altura e não fui ver. À noite foi o concerto dos Foll's.






No sábado houve o desfile etnográfico 'O Ciclo do Vinho'. Gostei muito. Vários tractores a retratar as várias fases do ciclo e as crianças e adultos vestidos com trajes típicos. 












À noite foi o concerto dos Homens da Luta, preferido de muitos, inclusivé eu. O vocalista não parou o concerto inteiro, o resto da banda também impecável e os discursos faziam rir o pessoal. Que se pode pedir mais?



No domingo dia 17 houve gincana de tractores, a Fórmula T e mais animação de rua. E claro, vinho, muito vinho, esse é que não podia faltar.




Terminou por volta das 19h. O ambiente era simplesmente espectacular, como já só se encontra nestas vilas típicas. Claro que houve pancada também, como não podia deixar de ser, principalmente às altas horas da noite, mas no geral a coisa correu muito bem e esteve sempre bem controlada. Não andava muito sem ver um GNR. E de acordo com o blog da Cruz Vermelha Portuguesa de Aveiras de Cima, apenas houveram 7 intervenções, novo record para o Ávinho.

Espero estar lá para o ano, foi sem dúvida uma experiência a repetir. Ah e não se esqueçam de ver o resto das fotos na minha página do facebook - http://www.facebook.com/MistLuna




E já sabem... Toca a beber com moderação :)
Bom início de semana para todos!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Socorro!!



O desespero. O drama. O pânico. O silêncio pós-apocalíptico. Os longos segundos até perceber o que realmente aconteceu aqui. Pois é. Faltou a luz.

São dez para o meio-dia e acabou-se o computador. Bem, deixa cá ver o que está a dar na televisão... Pois. 

Ao menos um bocadinho de música! Mas, mais uma vez, não há computador, o rádio também nickles e a bateria do telemóvel é limitada. Olhar à volta e tal... Este sítio até precisa duma limpeza. Toca a pegar no pano do pó e no Cif. 

Já passa da uma e o estômago começa a dar horas. Epá mas comer sem televisão... Não dá. Toca a limpar mais um bocado. 

A limpeza está feita. Vá Ana, isto já está a ficar ridículo, vai mazé comer. Toca a pôr os restos do jantar no microondas... Pois. De volta ao fogão. Sentar, começar a comer... Epá isto até sabe bem. E estou a mastigar mais devagar. E a comer menos, porque me apercebo que me sinto satisfeita. E este silêncio até é agradável. Se calhar isto até nem é muito mau...

Dez para uma, a luz regressa. De volta ao computador. 

Havia uma lição para aprender aqui? :)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Colocar o Dinheiro em Perspectiva

Na sequência da entrada anterior, resolvi fazer uma lista dos princípios pelos quais me tento reger nesta época financeira ainda bastante crítica, de forma a não perder a perspectiva do que é realmente importante e, de certa forma, me reencontrar e redescobrir o que realmente gosto e preciso.


1. |Fazer um orçamento.| Este tem sido o meu maior desafio. Ainda hoje não consigo pô-lo em prática a 100%. Não é por fingir que as despesas não existem que elas vão desaparecer, mas de vez em quando lá penso que sim. Quando finalmente ganho juízo, tento somar todas as despesas que posso prever que irei ter durante o mês, pôr de lado esse dinheiro e especialmente manter-me a par do que gasto durante o mês. Esta última é a parte mais complicada para mim, mas a verdade é que não vale mesmo a pena ignorar o extracto bancário.

2. |Poupar.Sejam 100, 10 ou 1€ - mensal, semanal ou diariamente - tento sempre pôr qualquer coisa de lado e comprometer-me a não gastar esse valor. A verdade é que o mais provável é que vou precisar dele mais tarde. Além disso, nesta época, por muito que as coisas nos estejam a correr bem, é bem possível que venhamos a perder o emprego, como me aconteceu há já largos meses. É um facto que não podemos controlar tudo o que acontece na nossa vida. E, sem uma fonte estável de rendimento, podemos vir a passar necessidades se não nos precavermos. 

3. |Definir o essencial.| Não quero com isto dizer que não nos devemos divertir ou ir jantar fora de vez em quando ou comprar algo novo para vestir ou usar. Mas, especialmente estando apertada no departamento monetário, tento pensar se o que quero comprar vale realmente o custo, tanto monetário como emocional. Porque, se calhar, para adquirir esse objecto, terei de abdicar doutro que quero ou preciso mais. 

4. |O dinheiro não cresce.| Fui habituada desde pequenina a gastar apenas o que tenho. Portanto acredito que apenas se deve recorrer ao crédito para compras substanciais, como casa ou carro. Nunca fiz e tenciono nunca fazer do crédito uma coisa habitual. Porque, quando te aperceberes, a tua dívida já cresceu muito para além das tuas possibilidades. E, mais cedo ou mais tarde, provavelmente mais cedo do que julgas, o tempo vai acabar-se e, duma maneira ou doutra, terás de pagar. Não quero nunca olhar para trás e perceber que me coloquei nessa situação desnecessariamente.

5. |Apreciar o que tenho.| Às vezes é complicado não querer sempre mais em mais. Mas, em vez de adquirir objectos novos uns atrás dos outros para passado pouco tempo me esquecer deles ou já não gostar, tento dar valor ao que já tenho. Por exemplo, de vez em quando, lá dou uma volta ao armário e, às vezes, até encontro coisas que já nem me lembrava que existiram. É uma excelente oportunidade para as redescobrir e basicamente estou fazer compras no meu próprio guarda-vestidos, mas sem ter de gastar um tostão!

6. |Enfrentar os meus erros.Se encontro algo que adquiri há relativamente pouco tempo e já nem sequer pondero a possibilidade de usar novamente, tento pensar no que me levou a comprá-lo/a inicialmente para que, quando sentir novamente esse desejo ou impulso, pense duas vezes. A melhor forma de prevenir a repetição de erros é estudando o comportamento passado.

7. |Reciclar!| Quando posso tento reinventar os meus objectos ou, se já não têm remédio, dá-los a alguém que os valorize. Por muito que me custe abdicar das coisas, a verdade é que não vale a pena agarrar-me a elas eternamente.

8. |Filhos: ensinar-lhes o valor do dinheiro.| Ainda não tenho filhos e sei que é fácil falar quando não se conhece na prática, mas é algo que quero mesmo fazer quando chegar a altura. Não quero com isto dizer que acho que se deva importuná-los com questões de adultos ou deixá-los desnecessariamente preocupados. Mas acredito seriamente que se deve ensinar-lhes que, para terem algo, têm de abdicar de outras coisas. E explicar-lhes o que os objectos que querem realmente custam. Se calhar a consola de jogos que tanto desejam equivaleria a 10 ou 20 sacos de compras no supermercado ou umas mini férias ou um mês de gasolina para o automóvel.

9. |Não ter medo de dizer que não.| "Realmente não preciso nada disto nem tem qualquer utilidade para mim, mas a senhora da loja é tão simpática... E realmente o produto é mesmo giro. Ainda por cima está em promoção!" Não. E não é não. Por muito barato que seja, se não preciso, não compro. E a verdade é que 'grão a grão enche a galinha o papo'. Se somares todas as coisas que compraste porque eram baratas nos últimos 3 meses, por exemplo, se calhar vais assustar-te com o total. Pois é, isto acumula mesmo! E pensa só no que poderias ter feito com esse dinheiro...

10. |Procurar alternativas.Já trouxe de volta o Uno e o Mikado! Até a Bisca dos 9 e o Peixinho. Desenterra o Monopólio e o baralho de cartas! Cozinha para os teus entes queridos. Maquilha as tuas amigas e vice-versa. Passeia a pé. Aprecia a natureza. De certeza consegues lembrar-te de algo que podes fazer para te divertir que não seja muito caro.


Concluindo, devo admitir que tem sido difícil implementar alguns destes princípios. Qual de nós não sente um prazer imenso ao adquirir um objecto que desejamos muito? O truque está em perceber se realmente o desejamos e iremos utilizar ou se é apenas um impulso do qual nos iremos arrepender mais tarde.

Aquilo que sei é que tenho tirado bastante prazer ao me impor estes limites. A razão é simples: As coisas sabem muito melhor quando as merecemos e quando são raras! Ao ceder menos vezes a essas indulgências, quando finalmente o faço sabe mil vezes melhor.



Filosofias de Vida

Estamos na era do Eu. Do descartável. Do hedonismo. E, infelizmente, o que tenho constatado é que esta nova forma de encarar a vida leva a excessos bem perigosos para a nossa saúde quer física quer mental, desde o elevado grau de consumismo até ao refúgio na comida - tudo, segundo o meu ponto de vista, atitudes de negação para não pensarmos nas consequências das nossas acções e no que nos tornámos. Gostaria de me focar na primeira consequência.

Perdeu-se largamente o sentido de comunidade e tudo gira em torno do indivíduo. Já não sabemos poupar, o que é irónico, tendo em conta que vivemos em tempos de crise há anos. Mas a verdade é que a pessoa, hoje em dia, já não sabe distinguir o que é essencial e realmente necessário do que não é. No meu tempo, a TV Cabo era um luxo. A Internet era um luxo. O telemóvel era um luxo. Hoje em dia parece que já não conseguimos viver sem estas coisas, especialmente a última. 

E quando a bateria do telelé acaba ou ficamos sem rede... All hell breaks lose. Chamem os bombeiros e o carro da polícia. E quando finalmente já conseguir ligar, toca a lixar a vida do pessoal que trabalha no apoio a cliente da respectiva operadora. Sim, porque como é que é possível haverem zonas sem cobertura de rede?? Quer dizer, estamos em 2011, não se admite.

Se a isto juntarmos as roupas, os brinquedos, as refeições fora de casa, o entretenimento - porque afinal de contas merecemos tudo isto - fico com a impressão realmente muitos de nós vivemos num universo irrealista. Ou será esta a nova realidade?

Custa-me pensar que as crianças de hoje em dia, com a educação que estão a ter, não estarão lá muito preparadas para o mundo real. Para além de não terem a noção do que realmente é necessário, não sabem o que é a palavra 'não'. Pelo menos as que conheço. Os pais dão-lhes tudo e raramente vejo a educação propriamente dita, ou seja, o sentido de que, para ter aquilo que quer, a criança tem de trabalhar para a merecer.

Lembro-me de estudar isto em Sociologia na faculdade. Os filhos de pais ricos tinham tendência para depressões extremas e inclusive suicídio porque nasciam em berços de ouro, estavam habituados a ter tudo o que queriam e viviam numa bolha de protecção. Como tinham tudo, não tinham objectivos pelos quais lutar. E isso é mais essencial para o ser humano do que muita gente julga.

Agora parece-me que estamos num tempo em que a grande maioria nem sequer se apercebe que não pode sustentar o estilo de vida actual. Não tenho dinheiro para isto? Não há problema, toca a recorrer ao crédito! Eu pensava que esta moda era exclusiva dos EUA, mas cada vez mais se vê no nosso país. Há inclusive pessoas a passarem fome para terem um objecto que desejam muito. Fico parva quando vejo estas coisas.


Por tudo isto gostaria de te perguntar: Acreditas que as tuas prioridades estão no sítio certo? Tiras algum tempo para valorizar aquilo que tens? Tentas ser uma pessoa melhor todos os dias?




Termino com o desejo de que todos nós encontremos o nosso caminho na vida e tenhamos sempre a força para nos levantarmos depois de cairmos. 


Uma boa semana para todos!